Lua, Deus, marketing, gramática e espaço sideral

Hora de conectar a Lua, Deus, estratégia de marketing, um pouco de gramática e o espaço sidera nesta digressão!

Não é a Lua

Ah, Lua! Sempre no alto, bela e brilhante, mesmo sem emitir luz própria.
Enfim, outro dia estava voltando para casa um pouco mais tarde quando olhei para o céu e a Lua está cheia e brilhante, uma beleza estonteante que apenas ela consegue nos dar.

E de vez em quando, ao ver a Lua, uma pergunta surge. Por que chamamos a nossa lua de “Lua”? Eu não me lembro aonde eu vi essa pergunta pela primeira vez, mas quando você pensa que as luas dos outros planetas do sistema solar possuem nomes que soam tão fenomenais como “Titã”, “Io”, “Ganímedes”, “Tritão”, Proteu”, “Nix” e outros, nossa lua é simplesmente “Lua.

Veja, nós podemos fazer melhor! Veja alguns nomes fantásticos que nós demos para as outras luas! Por que chamar o nosso satélite natura de “Lua” e dar esse nomes bem mais legais para as outras luas? Foi falta de miaginação? Por que não mantivemos o nome que outras civilizações antigas deram? Ok, alguns lugares chamam nossa lua de Luna, mas não é tão utilizado quanto “Lua”. Enfim, provavelmente existe alguma razão e parece que é bem complicado traçar a origem do nome já que, bem, nossa lua, a Lua, está aonde está desde tempos remotos

De qualquer forma, nossa lua ainda se chama “Lua” e isso é como chamar um deus de “Deus”. Opa, espere um pouco. Algumas pessoas fazem isso! E assim chegamos à outra pergunta….por que? Por que chamar deus, “Deus”? Por que não dar um nome a ele como praticamente todas as outras religiões fizeram? Zeus, Poseidon, Amon, Freya, Shiva, Vishni e vários outros, novamente com nomes fenomenais! Alguns são tão fenomenais que usamos como nome para as luas de outros planetas! Mesmo assim, existe um deus chamado “Deus”.

Mas, francamente, é uma boa idéia. Se eu tivesse a chance de criar uma religião, eu chamaria o deus principal de “Deus” ou, caso usasse o termo “divindade”, eu chamaria de “Divindade”. É puro marketing! E é algo que as empresas fariam se tivessem a chance! Imagine vender uma marca de água engarrafada chamada “Água”? E que tal um carro chamado “Carro”? O máximo que as empresas conseguem fazer é criar marcas tão fortes que viram sinônim do produto. Para muitos, “Xerox” não é nem o nome de uma companhia e nem a marca de uma máquina. Para os que não sabem, esse “fenômeno” é uma figura de linguagem (então é um fenômeno linguístico) e tem um nome, Metonímia. Metonímia é uma figura de linguagem que consiste no emprego de um termo por outro, dada a relação de semelhança ou a possibilidade de associação entre eles.

Então por que criar uma religião onde o deus principal se chama “Deus”? Porque se o nome pegar e a religião deslanchar, toda vez que as pessoas falarem sobre deus, irão lembrar do seu deus (que se chama “Deus”) e irão se lembrar da sua religião. Se uma empresa criasse a “Água”, o efeito seria similar! Toda vez que as pessoas estivessem aprendendo sobre o ciclo da água elas iriam lembrar do produto e isso reforçaria tanto a marca quanto a empresa! Vê quão engenhoso é?

Claro que o efeito é menos eficiente na escrita, mas ainda assim funciona. Se você ler um text onde está escrito “deus” com “d” minúsculo, você provavelmente pensa que foi um erro de grafia ou é um texto de alguém que não acredita ou não respeita Deus. Você dificilmente pensa que o texto está se referindo a algum outro deus, a não ser que esteja claro pelo contexto (talvez seja um texto sobre como a religião nórdica é fenomenal). Mas numa conversa não existe letra maíuscula então toda vez que alguém fala “deus”, você não tem muito como saber se se refere ao substantivo ou ao nome próprio.

E já que essa digressão inclui deus e Deus, faz sentido voltar para o tema sobre usar ou não letra maiúscula no pronome pessoal usado para referir à Deus. Bom, eu não faço, como já foi visto antes. Por que? Porque me parece ser um erro gramatical.

Existem várias regras sobre o uso do maiúsculo na língua portuguesa. E no português, ao contrário do inglês, não existem regras que ditem o uso da letra maiúcula em pronomes pessoais que não estejam iniciando uma frase.

Alguns dizem que fazem por respeito a Deus. Certo, respeito. Bem, eu respeito meus pais e amigos e várias outras pessoas, mas nem por isso eu escrevo o pronome pessoal que se refere a eles com a primeira letra maiúscula. Você faz? Talvez o seu respeito a Deus é tanto que ele merece o direito de ter a primeira letra de todos os pronomes pessoais que se referem a ele sendo escrita com a inicial maiúscula? Me desculpe, mas isso não serve para mim. Eu não sou uma pessoa religiosa e eu não vejo sentido em utilizar maiúsculo nos pronomes pessoais que se referem a um ser divino que está em algum lugar lá em cima, vigiando a todos nós de alguma forma. Bom, nós ainda precisamos descobrir aonde exatamente é “lá em cima”. Porque já estivemos lá em cima e, neste exato momento, lá em cima é onde a EEI se encontra. Bem, a EEI não está em todos os lugares lá em cima, mas você pode descobrir quando o EEI estará exatamente lá em cima de você.

Talvez Deus esteja em algum lugar mais alto ainda? Ok, mas em qual direção? É bem difícil definir direção no espaço sideral onde você não tem exatamente um senso de direção. Você pode se lançar para o espaço em linha reta da sua casa e você chegará em lugares diferentes dependendo de quando você se lançou. Você poderia chegar na Lua, Vênus, Marte ou alguma outra galáxia, quem sabe? Decolando do mesmo ponto, o seu destino só vai depender de quando você partiu (e se você de fato conseguiria, mas vamos considerar que sim para o bem deste experimento mental.)!
Talvez o Voyager I encontrará deus no espaço inter-estelar? Ou talvez Yuri Gagarin realmente falou a verdade para Nikita Khrushchev? Quem sabe?

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